Diabetes Tipo 2: Tratamento com Cirurgia Metabólica

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Além de reduzir a obesidade de forma segura, a cirurgia metabólica é uma alternativa extremamente efetiva para o tratamento do diabetes tipo 2.

Antes de explicar porquê a cirurgia metabólica pode ser considerada um dos tratamentos mais efetivos para o diabetes tipo 2, precisamos entender qual é a relação entre obesidade e o diabetes tipo 2.

A obesidade é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, e vem acompanhada de diversas outras enfermidades.

Um dos maiores problemas associados à obesidade é que ela contribui significativamente para o desenvolvimento da resistência à insulina, que pode levar a pessoa a desenvolver o diabetes tipo 2.

Talvez você ainda não saiba, mas o diabetes tipo 2, ou diabete mellitus tipo 2,  é uma doença potencialmente grave, que precisa de tratamento médico.

É um problema relacionado ao estilo de vida que afeta cada vez mais pessoas no mundo todo.

Para você ter uma ideia, cerca de 250 milhões de pessoas no mundo têm diabetes tipo 2.

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O mais preocupante é que esse número tende a aumentar, uma vez que há cada vez mais pessoas obesas.

Sedentarismo, dieta pouco saudável e obesidade são fatores de risco que podem ter um impacto direto na saúde, levando a doenças como hipertensão e diabetes tipo 2.

Dentre os fatores de risco para o diabetes tipo 2, cabe destacar:

  • obesidade
  • sedentarismo
  • hipertensão arterial
  • dieta inadequada

Ter consciência do problema é o primeiro passo em direção ao tratamento da doença.

Porém, é importante entender que a mudança no estilo de vida é um fator fundamental para frear o crescimento de uma doença tão perigosa quanto o diabete tipo 2.

Consequências da Obesidade

Conheça alguns dos problemas que costumam afetar pessoas que estão muito acima do peso:

  • Hipertensão;
  • Colesterol alto;
  • Apneia do sono;
  • Esteatose hepática (inflamação no fígado causada pelo excesso de gordura),
  • Refluxo;
  • Dor nas articulações;
  • Diversas formas de câncer.

Hoje se sabe que pessoas obesas têm um risco muito maior de desenvolver o diabetes tipo 2, o que torna a obesidade um fator de risco para a doença.

Diabetes Tipo 2

Com o tempo, pessoas obesas com diabetes, podem apresentar uma série de sintomas de diabetes tipo 2:

  • Hipoglicemia (queda dos níveis de açúcar) e desmaios;
  • Risco de infecções;
  • Problemas cardíacos: angina, infarto, arritmias, insuficiência cardíaca;
  • Acidente Vascular Cerebral (AVC) – derrame;
  • Problemas na visão, incluindo a retinopatia e perda da visão;
  • Nefropatia e insuficiência renal com necessidade de hemodiálise ou transplante renal;
  • Neuropatia – alteração na sensibilidade dos membros e perda da percepção dolorosa;
  • Doença Vascular Periférica, levando a feridas nos pés e risco de amputações;
  • Esteatose e hepatites, inclusive podendo evoluir para cirrose;
  • Disfunção erétil – impotência sexual.

Talvez você nunca tenha ouvido falar em algumas dessas complicações.

Por isso, vamos falar de forma mais direta sobre os riscos do diabetes tipo 2.

Riscos do Diabetes

A intenção não é chocar, mas sim alertar você sobre os riscos do diabetes tipo 2:

  • Principal causa de cegueira em adultos;
  • Principal causa de amputação não traumática;
  • Principal causa de doença renal terminal;
  • 50% a 80% dos indivíduos com diabetes morrem de doenças cardiovasculares;
  • A expectativa de vida de quem tem diabetes é cerca de 10 anos menor do que pessoas sem diabetes.

Já deu para você ter uma ideia de como esse assunto é grave.

Mas o que pode ser feito para combater esse problema?

Tratamentos para Diabetes Tipo 2

O diabetes tipo 2 é uma doença que costuma evoluir de forma grave, podendo afetar diversos órgãos:

  • Cérebro;
  • Pâncreas;
  • Coração;
  • Olhos;
  • Rins;
  • Fígado.

É chocante como o diabetes tipo 2 pode ser agressivo para a saúde de uma pessoa.

Existem várias maneiras de tratar o diabetes tipo 2.

As formas mais comuns de tratamento para o diabetes estão associadas a mudanças no estilo de vida e ao uso de medicamentos específicos para diabetes tipo 2:

  • Dieta;
  • Exercícios;
  • Medicamentos;
  • Insulina.

No entanto, é fundamental que a pessoa com diabetes tipo 2 que também tenha obesidade perca peso.

Isso porque, como dissemos, o excesso de gordura corporal está diretamente relacionado com o desenvolvimento e a piora do diabetes tipo 2

No entanto, todos sabem, perder peso não é uma coisa fácil, pois as dietas de uma forma geral, sejam elas de baixa caloria, pobre em carboidratos ou qualquer outra, são extremamente difíceis de seguir e manter a longo prazo.

Da mesma forma, a adesão ao tratamento medicamentoso é complexa, pois as pessoas esquecem de tomar o remédio, não compram porque acham caro, não querem tomar injeções etc.

Nesse caso, a cirurgia de redução de estômago pode ser uma alternativa.

Cirurgia Metabólica

Nesse caso, quando falamos de cirurgia de redução de estômago estamos nos referindo à cirugia metabólica.

A cirurgia metabólica é um variação da cirurgia bariátrica, utilizada no tratamento de doenças relacionadas à obesidade, como diabetes tipo 2 e hipertensão.

A cirurgia bariátrica é muito conhecida devido à sua eficiência na redução do peso (a redução do peso é extremamente benéfica para o tratamento de pessoas com diabetes), porém, a cirurgia metabólica oferece outro grande benefício, além da redução da gordura corporal.

Os pesquisadores descobriram, que após a cirurgia metabólica, os padrões alterados de digestão e absorção do intestino disparam a produção de vários hormônios intestinais, especialmente o Glucagon Like Polipeptídeo (GLP-1) que pode aumentar em até 20 vezes após a cirurgia.

Mas o que é o GLP1?

O GLP1 é um hormônio produzido por células do intestino que estimula as células do pâncreas responsáveis pela secreção da insulina, o que ajuda a manter controlado o nível de açúcar no sangue.

O que os pesquisadores descobriram foi que que os níveis desse GLP1 disparam após a cirurgia metabólica.

Com os níveis mais altos de GLP1, o pâncreas aumenta o número de células que produzem insulina e melhora o desempenho dessas células, levando a um controle mais fácil dos níveis de glicose, que é a essência do tratamento de pessoas com diabetes tipo 2.

Há evidências de que a grande maioria dos pacientes que fazem essas cirurgias metabólicas deixam de precisar dos medicamentos para controlar o açúcar, e mesmo que uma pessoa não tenha alcançado a remissão completa do diabetes (controle pleno), quase todos os operados apresentam uma grande melhoria da doença, resultando na menor necessidade de drogas hipoglicemiantes e no risco de complicações.

Além de controlar a glicemia e o peso, há outros benefícios diretos que são extremamente importantes na pessoa com diabetes, como a queda na pressão arterial e nos níveis de colesterol ruim (LDL) e triglicerídeos, e aumento do colesterol bom (HDL).

Os médicos chamam esse efeito de “TRIPLA META” ou “triple end Point” (em inglês), e é uma das maiores características do tratamento cirúrgico, pois a maioria dos pacientes operados conseguem alcançá-lo, fato que não pode ser observado em pacientes tratados apenas através de medicamentos.

Conclusão

Nos últimos 20 anos, a cirurgia metabólica tem sido rotineiramente adotada como um dos principais tratamentos para obesidade, com ou sem diabetes tipo 2.

Muitos estudos colocam a cirurgia metabólica como o tratamento de escolha, especialmente nos indivíduos com ambos, obesidade e diabetes tipo 2.

Pessoas com diagnóstico há menos de 10 anos, que têm obesidade e encontram dificuldades em controlar o diabetes tipo 2 podem optar pela cirurgia metabólica.

Essa matéria foi feita com base no artigo do Dr. Orlando Pereira Faria – Membro Titular da Sociedade Brasileira de SBCBM, membro da Câmara Técnica de Cirurgia Bariátrica do CFM e responsável Técnico pela Gastrocirurgia de Brasília.

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