Prejuízos na Saúde Emocional podem Causar Obesidade?

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Muito se fala sobre os aspectos das doenças clínicas que estão associadas à obesidade, como a hipertensão arterial, diabetes e apneia do sono, mas pouco se comenta o quanto as pessoas com obesidade grave apresentam em maior proporção alguns quadros emocionais. 

O que se verifica tanto na prática clínica como nas evidências científicas é que as pessoas que apresentam procura para perda de peso têm maior sofrimento emocional, ou seja, estar acima do peso causa prejuízo em sua qualidade de vida.

Quadros psiquiátricos e a obesidade apresentam alguns pontos em comum:

  1. Influência genética;
  2.  Estresse precoce na infância;
  3.  Fatores neurobiológicos (marcadores inflamatórios, alteração do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, microbiota intestinal);
  4.  Comportamentais (comportamento alimentar, sedentarismo). 

O início de um quadro psiquiátrico pode favorecer para que a pessoa evolua com ganho de peso, seja por uma influência do medicamento utilizado ou por uma mudança de hábito, em que a pessoa apresenta dificuldade para realizar exercícios e cuidar de sua alimentação. O inverso também ocorre quando uma pessoa apresenta um aumento de peso; de acordo com a intensidade, este “engordar” pode influenciar para que a pessoa apresente prejuízo em sua saúde emocional.

Quadros de depressão podem favorecer a pessoa ganhar ou perder peso, devido a:

  • Mudança do apetite;
  •  Favorecimento de estado inflamatório;
  •  Alteração da resposta do eixo de comunicação cérebro-adrenal (circuito hormonal do “estresse”);
  •  Interferência no ciclo sono-vigília (sonolência ou insônia);
  •  São caracterizados por uma falta de vontade, a qual impede a pessoa de manter suas atividades. Pessoas com o subtipo de depressão em que comem de forma exagerada, podem ganhar peso de forma significativa enquanto estiverem deprimidas.

Uma linha de pesquisa atual aponta que dentro dos comportamentos que podem favorecer a obesidade está a impulsividade. O agir por impulso se caracteriza por estabelecer uma ação, sem que se mensure as consequências desta ou por uma falta de planejamento. Diagnósticos psiquiátricos como o transtorno de atenção e hiperatividade (TDAH), transtorno bipolar do humor, transtorno de personalidade borderline e transtornos por uso de substâncias (álcool, maconha etc.) configuram alguns exemplos de quadros psiquiátricos em que as pessoas “agem sem pensar”. Neste sentido, uma parte das pessoas que apresentam estes quadros emocionais, “comem sem pensar” e acabam por evoluir com obesidade.

Algumas pessoas sofrem na sua relação com a alimentação e passam a se sentir descontroladas quanto à comida, com intenso desconforto por estarem num peso que não aceitam e preocupadas de forma extrema com sua aparência física. Quadros de transtornos alimentares, como o transtorno da compulsão alimentar e a bulimia, os episódios de compulsão alimentar (comer de forma descontrolada, uma grande quantidade de comida, num intervalo < 2 horas) favorecem o ganho de peso.

Então, a obesidade é uma questão de saúde mental? Não somente. Na realidade, a obesidade apresenta uma influência da interface entre genética e ambiente que contribui para que a pessoa ganhe peso. Os tratamentos clínicos, de acordo com a gravidade do quadro de obesidade, podem não ser suficientes para que a pessoa perda o peso necessário para melhorar sua saúde física.

Neste cenário, a cirurgia bariátrica se estabeleceu como o tratamento mais eficaz para obesidade grave, devido à grande perda de peso e efeito metabólico. Muita polêmica se estabelece quanto aos aspectos emocionais, no pré e no pós-operatório da cirurgia bariátrica; entretanto, o que precisa ser compreendido é que os candidatos à cirurgia bariátrica apresentam em maior proporção alguns quadros emocionais.

A questão fundamental é avançar na compreensão de que a cirurgia bariátrica envolve, para além dos cuidados clínicos, também uma necessidade de cuidado da saúde mental. Cuidado que envolve o psiquiatra no papel de identificar/tratar/diagnosticar  e o psicólogo na abordagem das questões emocionais associadas ao pré/pós-cirurgia bariátrica. 

Maria Francisca Mauro

Médica psiquiatra pela UERJ; Mestre em psiquiatria pelo Instituto de Psiquiatria da UFRJ; Doutoranda no Instituto de Psiquiatria da UFRJ; Membro do Grupo de Obesidade e Transtornos Alimentares (GOTA) da UFRJ;  Pesquisadora colaboradora no Programa de Obesidade e Cirurgia Bariátrica (PROCIBA) da UFRJ.

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