Lupicínio Rodrigues – Um Ilustre Diabético

Lupicinio-Rodrigues
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Lupicínio Rodrigues ou Lupi, como era chamado desde pequeno, era um compositor de nascimento, escrevia sambas poéticos, canções românticas, músicas que expressavam dor, paixão, sofrimento, tristeza, melancolia e, acima de tudo, um amor não correspondido.

Foi, segundo Fábio Jr. Souza, o inventor do termo dor de cotovelo, que se refere à prática de quem crava os cotovelos em um balcão ou mesa de bar, pede um uísque duplo e chora pela perda da pessoa amada.

A ideia de ser constantemente abandonado pela vida sem uma explicação racional é o sentimento do paciente diabético tipo 2 quando entra em nosso consultório: abandonado pela vida, pelas medicações e até pela insulina

E é através desse abandono que eles buscam forças e inspiração para ter uma qualidade de vida melhor, onde a “traição” daqueles que apenas o atenderam, mas não o curaram e/ou tampouco trataram, andaram sempre juntos.

 Assim, buscam a cura através da cirurgia metabólica, seja por qual técnica for. E apenas nos pedem: “Dr., não me deixe morrer, não quero fazer hemodiálise, não aguento mais meus remédios”.

E assim vamos buscando a melhor forma de tratar uma doença que atinge milhões de pacientes. 

 E se o paralelo é a vida de Lupicínio e seus possíveis amores, a atual campeã das opções disponíveis que acalentam o coração se chama Gastrectomia Vertical ou Cirurgia de Sleeve.

Nascida quase que por acaso em 2003, essa técnica ainda sofre dos males da adolescência, suscitando grandes amores, paixões e defesas entusiasmadas por parte de seus apaixonados.

Como todo adolescente, precisa ainda entender que toda paixão precisa ser comprovada pelo tempo; só assim se transformará no amor que Lupicínio perseguia. 

Seus resultados no tratamento do Diabetes tipo 2 ainda carecem de comprovações e até se poderia dizer que, por suas qualidades, suscita suspiros apaixonados diante dos resultados iniciais, já que vem comprovando ter também um componente metabólico, com inibição de hormônios incretínicos, comparáveis aos seus rivais.

Talvez uma de suas grandes vantagens seja o seu baixo índice de ” morrer de paixão”.

Por ser uma cirurgia mais rápida e de menor complexidade técnica, os índices de mortalidade são comparáveis a um amor sólido e duradouro. 

A Cirurgia de Sleeve vem sendo usada como uma 2ª opção, após a cirurgia de bypass gástrico, sabendo seus entusiastas que uma paixão é boa, mas o amor de um bypass é muito mais duradouro em seus resultados.

A cirurgia de Sleeve consiste em retirar uma parte do estômago, quase 90% do seu todo, deixando apenas aquilo que todo amante busca, que é o aumento da saciedade.

Sim, além da saciedade aumentada, terão nossos amantes menos fome.

E assim se vão todos os pacientes ainda esquecidos, mas que estão à espera de quem os resgate.

 E se o tema foi Lupicínio, nada melhor do que adaptar parte de sua música mais famosa à realidade do que vive hoje o paciente diabético, seja pelo descaso ou pelo desconhecimento daqueles que deveriam ser os primeiros a indicar a cirurgia como a melhor forma de tratamento:

“Esses doutores, pobres doutores

Ah se soubessem o que eu passo

Não prescreviam, não passavam

Aquilo que eu já usei

Por meus olhos perdidos na cegueira, por meus sonhos desfeitos na hemodiálise

Por meu sangue adocicado, tudo enfim

É que eu peço a esses doutores

Que acreditem em mim, preciso operar 

Se eles julgam

Que há um lindo futuro nas medicações 

Não se esqueçam de Hipócrates onde só o amor nesta vida conduz

Saibam que deixam o céu

Por ser escuro

E vão ao inferno

À procura de luz

Eu também tive

Nos meus belos dias

Essa mania que muito me custou 

Pois só as mágoas que eu trago hoje em dia

E essas rugas

A vida me deixou

Esses doutores , pobres doutores

Ah se soubessem o que eu sei”… 

 A propósito: Lupicínio Rodrigues morreria em Porto Alegre com 60 anos incompletos. Ele era diabético e há vários anos tratava de forma intermitente as complicações cardíacas e circulatórias comuns à sua moléstia e que acabariam por matá-lo.

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